sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Maria Gadú - CD Maria Gadú

Por Beto Byron

Você já ouviu Maria Gadú? Ainda não?
Então precisa atualizar sua discoteca urgentemente!!!

O CD de estreia de Maria Gadú (Maria Gadú) é uma experiência que vai te levar de volta aos melhores anos da nova geração da MPB. Lembra daquele tempo em que surgiram grandes nomes como Cássia Eller, Zelia Duncan, Marisa Monte, e outras cantoras tão talentosas que era difícil acreditar que dentro daquele ridículo cenário popularesco bundalizado e de qualidade indiscutivelmente lamentável, podia-se ouvir raramente algo muito bom e feito com excelência?

Gadú brinca com as notas e a melodia de uma forma indescritivelmente suave e afinada ao pé da letra, proporcionando ao ouvinte um verdadeiro SPA auditivo.

A doçura de sua voz e a tenacidade de seu estilo de composição conquistam logo na primeira faixa. A singela e doce "Bela Flor" que abre o disco, é marcada por um som regional. Um baião levemente "loungeado".

Depois Gadú volta com moral em "Altar Particular", onde exibe sua versatilidade de compositora cantando um samba de sua autoria no melhor estilo Nelson Cavaquinho, Cartola, e Adoniran.

Passamos pela modernosa e não menos bela "Dona Cila", para chegarmos então a "Shimbalaie". A essa chamo de SPA auditivo irrefutável...

"Shimbalaie" é a primeira canção composta por Gadú na vida, pasme...aos 10 anos de idade...e tornou-se uma marca registrada da cantora. A canção vai te conquistar desde os primeiros acordes do bem executado arranjo de violão..."Shimbalaie" te arrebata para uma experiência auditiva quase que sobre-natural. Sabe aquela canção onde está tudo no seu devido lugar? Violão, uma linda e bem colocada voz, a entrada do restante da banda, arranjos de cordas, baixo, etc., etc., etc....Só podia dar em sucesso nacional absoluto...trilha de novela, e vai por aí.

Em "escudos" ouvimos um "boi" suavizado pelos arranjos gentis, e não menos agradáveis do que os arranjos das canções anteriores.

Depois vem a clássica "Ne Me Quitte Pas". Numa das melhores canções do CD, Maria surpreende-nos mais uma vez com um GENIAL arranjo que de imediato lembra o "brega" de Reginaldo Rossi, fazendo um verdadeiro samba do crioulo doido, e deixando-nos mais uma vez boquiabertos com tanta versalidade e bom gosto!!!

http://www.youtube.com/watch?v=Uqh0xukf84U (Gadú canta Ne me Quitte Pas ao-vivo no Altas Horas)

"Tudo Diferente" é uma graça...fica o destaque para os violinos que bailam durante a gostosa melodia...

"Laranja" é um levadão funkeado, com uma introdução meio "Lenínica" e que tem cara de Carioca, apesar de sua compositora ser paulista. Nessa canção Gadu nos mostra seus graves dividindo a melodia com Leandro Léo. Muito legal viu!

"Lounge" é diferente...jazzistica. Gostosa, intimista...Um duo de vozes de Gadú com Gadú...Uma canção pra relaxar.

"Linda Rosa" mostra em Gadú uma forte influência de Marisa Monte, não só na colocação da voz, mas tem também muito no estilo de composição.

Em "Encontro" a pequena notável baioniza acordes de MPB no melhor suing da mais pura essência da Música Popular Brasileira.

Na penúltima faixa, Maria Gadú desliza sua doce e cativante voz em "A História de Lilly Braun". A canção remete a algo entre o blues e o Jazz Nova Iorquino Ballrooniano dos anos 60, e brindou minha insônia me deixando ligado em tamanho bom gosto.

Pra terminar a incrivelmente lapidada e por fim sofisticada (na voz e violão de Gadú) Baba, de autoria da cantora Kelly Key. Gostei dessa música pela primeira vez na minha vida!!!

Bom...o que dizer a mais sobre essa obra de arte?
Maria Gadú canta muito, compõe muito, e entende muito de como criar MÚSICA POPULAR BRASILEIRA DA BOA.
Compre, compre, compre...ouça, ouça, ouça...divulgue, divulgue, divulgue...

Maria Gadú, o Brasil é pequeno pro seu talento. O mundo todo lhe aguarda!!!

"Beto Byron é músico e toca desde os 12 anos de idade.
Compositor e cantor, além de empresário."

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